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Como escolher um aplicativo de caderneta de fiado para o balcão
Os critérios que separam um aplicativo de caderneta que aguenta loja de rua daquele que só funciona com internet boa. Inclui...
Custos
Fiado não é desconto, é crédito com prazo, e todo crédito tem custo. A boa notícia é que dá para medir esse custo com três números que você já tem no caderno.
Vender fiado pode ajudar a manter clientes próximos, mas também consome dinheiro que faria falta no caixa, no estoque e nas contas da semana. Com os dados do seu caderno, é possível medir o custo do fiado e decidir quanto cada cliente pode levar sem apertar o negócio.
O custo do fiado não é só o cliente que deixa de pagar. Ele começa no dia em que a mercadoria sai da loja e o dinheiro não entra no caixa.
Enquanto aquele saldo está aberto, você continua pagando fornecedor, aluguel, energia, funcionários e reposição de mercadoria. Se faltar dinheiro para comprar, pode ser necessário usar limite bancário, atrasar uma conta ou comprar menos do que vende.
Para aprofundar: Como escolher um aplicativo de fiado.
Para medir a situação, separe quatro pontos:
A inadimplência no mercadinho aparece quando uma parte dos saldos abertos não volta. Já o capital parado existe mesmo quando o cliente paga, mas demora tanto que a loja fica sem recurso para a rotina.
O prazo médio de recebimento mostra o tempo entre a venda e o pagamento. Ele não precisa ser perfeito para ser útil, mas depende de registros com data da venda, valor e data de baixa.
Se o seu caderno tem vendas e pagamentos anotados, escolha um período recente, como os últimos três meses. Considere somente os fiados que foram totalmente pagos nesse período.
A fórmula é:
prazo médio de recebimento = soma de (valor recebido x dias até pagar) ÷ total recebido
Imagine três compras quitadas: R$ 100 pagos em 10 dias, R$ 200 pagos em 20 dias e R$ 300 pagos em 30 dias. O cálculo fica assim:
(100 x 10 + 200 x 20 + 300 x 30) ÷ 600 = 23,3 dias
Nesse exemplo, o dinheiro do fiado leva em média pouco mais de 23 dias para voltar. Não é uma cobrança de juros ao cliente, é uma medida para entender a pressão sobre o caixa.
Faça a conta uma vez por mês. Com um caderno organizado, isso pode tomar uma ou duas horas na primeira vez e menos tempo depois. O erro mais comum é olhar apenas a data do último pagamento do cliente. Cada venda deve ter sua própria data, porque alguém pode pagar uma compra recente e continuar devendo uma antiga.
O saldo aberto é a fotografia mais direta do capital de giro do comércio de bairro que está nas mãos dos clientes. Some o que cada pessoa deve hoje, sem descontar promessas de pagamento.
Depois, compare esse total com o valor do seu pedido semanal ao distribuidor. Essa comparação responde a uma pergunta prática: se todos pagassem agora, por quantas compras de reposição esse dinheiro seria suficiente?
Exemplo: se a loja tem R$ 4.000 em fiado aberto e costuma fazer um pedido semanal de R$ 2.000, há o equivalente a dois pedidos parado fora do caixa. Se o fornecedor exige pagamento curto, esse valor pode obrigar o comerciante a comprar menos ou buscar crédito.
| Situação observada | O que pode indicar | Ação inicial |
|---|---|---|
| Saldo aberto menor que um pedido semanal | Fiado ainda cabe na rotina, se os pagamentos entram no prazo | Acompanhar vencimentos e manter limite por cliente |
| Saldo aberto próximo de vários pedidos | Caixa comprometido com vendas antigas | Reduzir novas liberações até receber parte do saldo |
| Saldo aberto cresce todo mês | Vendas fiadas superam pagamentos | Revisar limites, datas combinadas e cobrança |
| Muitos saldos pequenos e antigos | Falta de acompanhamento individual | Listar devedores por idade da dívida |
Não use apenas o total geral. Organize os saldos por faixa de atraso: até 30 dias, de 31 a 60 dias, de 61 a 90 dias, de 91 dias a 12 meses e acima de 12 meses. Isso evita tratar como normal uma carteira que parece saudável no total, mas está carregada de dívidas antigas.
Para gestão, trate como perda efetiva do ano o valor que completou mais de doze meses sem pagamento. Isso não significa que a cobrança deve parar ou que o cliente jamais pagará. Significa que esse dinheiro deixou de ser uma expectativa normal de entrada e deve ser analisado como risco real.
Some as vendas fiadas que passaram de doze meses em aberto durante o ano. Em seguida, divida pelo faturamento fiado do mesmo período.
A fórmula é:
perda efetiva do ano = valor do fiado acima de 12 meses ÷ faturamento fiado do ano x 100
Esse número fica visível no relatório de recebíveis do Fiadobom.
Se foram vendidos R$ 30.000 no fiado no ano e R$ 1.500 completaram mais de doze meses sem pagamento, a perda efetiva gerencial é de 5% do faturamento fiado. Esse percentual permite comparar anos e saber se o problema está aumentando.
Não misture faturamento total da loja com faturamento fiado nessa conta. A pergunta é quanto do que foi vendido a prazo não retornou. Para decisões contábeis e tributárias sobre perdas, consulte o contador, porque a classificação e os efeitos fiscais dependem do regime tributário e da documentação disponível.
Também vale revisar a lista de valores antigos antes de concluir que são perdas. Pode haver pagamento anotado errado, cliente com nome duplicado, valor já renegociado ou baixa esquecida. Corrigir cadastro e registros evita cobrar duas vezes e distorcer a inadimplência do mercadinho.
Quando a loja vende fiado, ela financia o cliente com o próprio dinheiro. Se esse recurso faz falta, o comerciante pode acabar usando antecipação de recebíveis do cartão ou capital de giro bancário para pagar contas que poderiam ser cobertas pela venda.
As taxas de antecipação e os juros bancários variam conforme banco, instituição de pagamento, prazo, perfil da empresa, garantias e data da contratação. Por isso, não compare apenas a taxa anunciada. Peça o custo efetivo total, o CET, e veja o valor líquido que entra na conta.
| Opção | Quando o dinheiro entra | Custo a conferir | Principal cuidado |
|---|---|---|---|
| Fiado | Na data em que o cliente paga | Atraso, perda e esforço de controle | Não ter limite ou data combinada |
| Cartão sem antecipação | Conforme o prazo contratado | Taxa da venda e prazo de recebimento | Planejar o caixa até o repasse |
| Antecipação de cartão | Antes do prazo normal | Taxa de antecipação e valor líquido | Usar sempre pode reduzir a margem |
| Capital de giro bancário | Após aprovação e liberação | CET, prazo, garantias e parcelas | Assumir parcela sem caber no fluxo de caixa |
A comparação correta não é dizer que cartão ou banco sempre custa mais que fiado. Um cliente que paga em poucos dias pode ter baixo impacto. Já uma carteira antiga, sem limite e sem acompanhamento, pode custar mais que uma linha de crédito usada de forma pontual.
Some também o tempo de operação. Anotar, procurar caderno, perguntar quanto falta, conferir pagamentos e cobrar consome horas que poderiam estar na venda e na reposição. Se ninguém sabe com certeza quem deve e há quantos dias, o custo de controle já está alto.
Aumentar o preço de todos os produtos para cobrir o custo do fiado parece simples, mas pode criar outro problema. Clientes que pagam na hora passam a bancar parte do atraso de outros, e a loja pode ficar mais cara que concorrentes do bairro.
Em produtos de preço muito observado, como arroz, leite, pão, carne e itens de limpeza, uma diferença pequena pode afastar compras. Além disso, o aumento geral pode não resolver se a causa for limite excessivo ou dívida muito antiga.
Leitura complementar: Caderno, planilha ou aplicativo de fiado.
Antes de mexer no preço, siga esta ordem:
Se houver preço diferente conforme a forma de pagamento, informe a condição de maneira clara antes da compra. O Código de Defesa do Consumidor exige informação adequada e transparente ao consumidor. Evite expor clientes ou fazer cobranças constrangedoras.
O limite não deve ser igual para todos. Ele precisa considerar o histórico de pagamento, o saldo atual, a frequência de compra e a importância daquele valor para o caixa da loja.
Um cliente que compra toda semana e paga sempre na data combinada pode ter limite maior do que alguém que promete pagar, mas acumula saldo por meses. O limite também não é definitivo: aumente ou reduza conforme o comportamento muda.
Uma regra simples é não liberar nova compra quando o saldo já passou do limite ou quando há parcela vencida sem conversa e sem acordo. Se o cliente precisar de novo prazo, registre o combinado com data e valor. Acordo verbal sem anotação vira dúvida depois.
Vender fiado compensa quando a loja conhece o prazo médio de recebimento, controla o capital parado e limita o risco de cada cliente. O primeiro diagnóstico pode sair do caderno: some saldos abertos, compare com o pedido ao fornecedor e destaque o que passou de doze meses sem pagamento.
O Fiadobom ajuda a registrar cada venda e pagamento com data, hora e responsável, além de permitir cobranças por Pix sem abordagem cara a cara. Para avaliar se a rotina serve para sua loja, peça uma demonstração.
Este conteúdo é assinado por Jimenez Julien, editor do Fiadobom.
Com cada venda e cada pagamento registrados, o saldo aberto e o prazo médio aparecem prontos, sem precisar somar caderno. É a base para decidir limite e prazo por cliente.
Testar no balcão
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Comparativo
Comparação honesta entre as três formas de anotar fiado que existem no comércio de bairro, com o custo real de cada uma. Inclui...

Regulamentação
O que o comerciante pode e não pode fazer para receber uma dívida de fiado, segundo o Código de Defesa do Consumidor e o Código...
Acesso antecipado
Conte quantos clientes você tem no caderno hoje e quanto acha que está atrasado. A gente monta a caderneta com a sua lista e você testa a primeira cobrança por Pix ainda nesta semana.